Ética, estética e política em Nise da Silveira


 

                    Ética, estética e política em Nise da Silveira

                                             Introdução                      

Agilberto Calaça Neves

 

                 Por que este tema? Qual a atualidade do mesmo? Que tem Nise da Silveira, psiquiatra do século passado, figura polêmica, ela mesma, a nos dizer sobre o nosso fazer psiquiátrico atual? Mais ainda, especialmente nos temas acima elencados: ética, estética e política? Bom, talvez, alguns aqui já tenham algum conhecimento do seu trabalho e da relevância do mesmo. Talvez, outros, já ouviram falar sobre ela, na mídia, en passant, mas muitos sequer tenham ouvido seu nome. Cabe então dizer preliminarmente algumas palavras sobre essa mulher, situá-la no contexto em que ela viveu. Mas, antes, para evitar uma apresentação cartesiana, que ela também não haveria de gostar, vou falar de duas biografias, para não falar “casos” de seus clientes do Engenho de Dentro.

 

 

(...)                Ética,  estética e política

Esses temas estão estreitamentos ligados, desta forma os tratarei num único tópico. É claro que cada um deles exigiria mais do que uma aula tantas são as suas nuances, mas devido as nossas limitações de toda ordem preferi proceder assim, pensando no livro A República, de Platão, que, antes de ser uma obra política, como o título poderia indicar, é antes de tudo uma obra sobre a ética, sobre as virtudes, sobre a justiça, sobre como se comportar socialmente, enfim sobre o Bem. E eu poderia arriscar e dizer que também é um livro sobre a estética, pois a tradição filosófica grega faz do Bem um princípio não moral ou econômico, mas essencialmente metafísico, como a Beleza, a verdade e a felicidade. O Bem, de fato, é como diz Platão na República, “é causa daquilo que existe de justo e belo”. E nessa definição estão todos os conceitos reunidos.

 

(...)Talvez o que a agradasse em Spinoza fosse uma filosofia da vida, contra as “paixões tristes”, contra tudo que escravizasse os homens, contra a ilusão da consciência, dos valores transcendentes, pois “é aos escravos, não aos homens livres, que damos recompensas por boa conduta”. E, mais importante: um indivíduo é antes de mais nada uma essência singular, isto é, um grau de potência. Talvez de Spinoza lhe tenha vindo um dos seus instrumentos de trabalho mais importantes o “afeto catalisador”, pois, por afetos, Spinoza entendia “as afecções do corpo pelas quais a potência de agir desse mesmo corpo é aumentada ou diminuída, favorecida ou impedida.” 

 

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